Japão testa célula-tronco em humanos para tratar Parkinson

Para cientistas, pesquisa busca reverter ativamente a doença, diferentemente de outros métodos

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Inovação. Em 2014, a cientista Masayo Takahashi desenvolveu um tratamento com células iPS, abrindo portas para outras terapias

Tóquio, Japão. Pesquisadores japoneses anunciaram o início do primeiro teste em humanos com um tipo de célula-tronco para tratar a doença de Parkinson, com base em testes anteriores em animais.

A equipe de pesquisadores da Universidade de Kyoto planeja injetar 5 milhões de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) – que têm o potencial de se desenvolverem em qualquer célula do corpo – em cérebros de pacientes, disse a universidade em um comunicado à imprensa.

As células iPS de doadores saudáveis serão desenvolvidas em células cerebrais produtoras de dopamina, que não estão mais presentes em pessoas com doença de Parkinson.

A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico crônico degenerativo que afeta o sistema motor do corpo, muitas vezes causando tremores e outras dificuldades no movimento.

Cerca de 10 milhões de pessoas no mundo têm essa doença, de acordo com a Fundação do Mal de Parkinson. As terapias atualmente disponíveis “melhoram os sintomas sem retardar ou interromper a progressão da doença”, diz a fundação.

Mas a nova pesquisa busca reverter ativamente a doença.

O teste clínico com sete participantes de entre 50 e 69 anos começou nesta quarta-feira (1). A universidade vai monitorar as condições dos pacientes por dois anos após a operação.

O teste humano chega depois de um procedimento anterior envolvendo macacos. Pesquisadores anunciaram no ano passado que primatas com sintomas de Parkinson recuperaram uma mobilidade significativa depois que as células iPS foram inseridas em seus cérebros.

Eles também confirmaram que as células iPS não se transformaram em tumores durante os dois anos após o implante. “Essa é uma das grandes preocupações quando se fala da injeção de células-tronco pluripotentes”, explica a geneticista Mayana Zatz, professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), na coluna “Decodificando o DNA”, da rádio USP. Segundo Mayana, nessa primeira fase, será testada a segurança do procedimento e o efeito – o que geralmente é feito em poucos pacientes.

As células iPS são criadas estimulando células maduras, já especializadas, de volta ao estado juvenil – basicamente clonagem, mas sem a necessidade de um embrião.

Essas células podem ser derivadas do paciente, tornando-as menos propensas a serem rejeitadas, ao mesmo tempo em que evitam as questões éticas de tomar células de embriões. As iPS podem ser transformadas em uma variedade de tipos de células, e seu uso é um setor-chave da pesquisa médica.

Outras aplicações. Em 2014, a oftalmologista Masayo Takahashi, do Centro Riken de Biologia do Desenvolvimento, em Kobe, desenvolveu uma terapia baseada em células iPS para tratar doenças da retina. E, em maio deste ano, uma equipe da Universidade de Osaka recebeu aprovação para usar células criadas a partir de células iPS para tratar doenças cardíacas.

Conheça algumas curiosidades sobre o caso

As células pluripotentes induzidas (iPS) foram descobertas em 2006 pelo pesquisador japonês Shinya Yamanaka, que lidera o centro de pesquisas da Universidade de Kyoto.

Shinya Yamanaka recebeu o prêmio Nobel de Medicina de 2012 junto com o cientista britânico John Gurdon, pela descoberta de que células adultas (da pele) podem ser transformadas em células semelhantes às de embriões.

As células iPS são células-tronco reprogramadas para terem o potencial de células-tronco embrionárias, ou seja, com possibilidade de serem transformadas, em laboratório, em qualquer tecido.

Atualmente, os pesquisadores conseguem essas células diretamente do sangue dos pacientes, sem necessidade de usar métodos considerados mais invasivos.

O fato de que os testes clínicos usam células iPS em vez de células embrionárias humanas quer dizer que o tratamento seria aceitável em países como a Irlanda e em grande parte da América Latina, onde células embrionárias são proibidas.

A doença de Parkinson é muito comum a partir dos 65 anos e é a segunda doença mais comum na terceira idade, atrás apenas da doença de Alzheimer.

Fonte:Jornal O Tempo

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