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Importante Depoimento de Nad Leite

Importante Depoimento de Nad Leite

A corrida é realmente um esporte democrático, necessita baixo investimento inicial e não requer local específico para a sua prática. Mas esse esporte não se resume em colocar o tênis e correr. É necessário realizar treinos complementares, como o fortalecimento dos músculos, um trabalho de consciência corporal para o melhoramento da postura e descanso para a evolução. Além de alimentação balanceada e suplementação adequada, que garantirão o aporte nutricional necessário de acordo com exigência energética a atividade. Por isso, muitas vezes, quem pratica a corrida sem orientação pode sofrer lesões e outros problemas.

Quero compartilhar um pouco da minha experiência como mãe, esposa, professora, estudante e corredora amadora.

Correr é para mim, um hobby… uma terapia… um estilo de vida…

Corro quando estou feliz, corro quando estou triste. Corro se estou tranquila e quando estou estressada. Corro para espairecer…  Mc Dougall escreveu em seu livro “Nascido para correr” que “Se você não chegar a uma resposta para os seus problemas depois de uma corrida de quatro horas, é porque o seu problema não tem solução.”

Meu envolvimento com o esporte começou em 2013, quando eu já tinha meus três filhos, na época com 5, 3 e 1 ano, e estava fazendo mestrado. Com viagens semanais para BH e outros afazeres, estava exausta e pouco produtiva. Minha orientadora, Prof. Olga Valeska do CEFT-BH, excelente dançarina, sugeriu que buscasse uma atividade física para encontrar um ponto de equilíbrio entre mente e corpo. Disse que o cérebro estava acelerado por causa dos estudos e a escrita da dissertação e que o corpo, sedentário, não poderia contribuir.

Comecei fazendo musculação e spinning na academia e gostava de correr na esteira. Lembro que em um domingo, academia fechada, meu marido me convidou para correr no Barreiro. Nessa primeira aventura outdoor, saí desesperada na tentativa de percorrer 2km em volta da lagoa na maior velocidade possível… essa “aventura” durou poucos segundos… Parei exausta, coração saindo pela boca e mãos nos joelhos. Tomei fôlego e continuei. Devo ter parado mais umas seis vezes até conseguir completar meu objetivo. Então percebi que correr na esteira era bem diferente de correr ao ar livre. O vento, o sol, os insetos, o atrito do tênis no chão…tudo isso interferia. Adorei aquilo tudo e senti que havia encontrado o meu esporte.

Minha primeira competição foi em um evento chamado “Integração no Bairro”. Era uma corrida gratuita de 6km. Ótima oportunidade para estreiar! Me inscrevi e compareci ao local. Recebi um chip e fixei-o no tênis conforme as instruções. Com a inocência de um principiante, pensei que aquele chip era um tipo de fiscalização e que iria me desclassificar da prova, caso eu caminhasse. A largada foi dada e segui com os demais corredores. No local em que deveríamos fazer o retorno, o encarregado de mostrar o percurso, e que conduzia uma moto, não retornou no local planejado e a corrida passou de 6 para 8km, sem aviso prévio. Como se isso não bastasse, peguei um copo de água, que era gentilmente oferecido pelos rapazes do TG e, sem diminuir a velocidade abri-o de qualquer jeito e engasguei feio. A água entrou em todos os buracos possíveis. Mesmo assim não parei de correr, por medo de ser desclassificada.

Cheguei em 2º lugar, subi no pódio e ainda recebi uma premiação em dinheiro. Nesta ocasião conheci a ACORA – Associação dos corredores de rua de Araxá – e entrei para a turma.

Me apaixonei pelo esporte e comecei a treinar do meu jeito. Nessa época eu não me preocupava com alimentação e comecei a sofrer as consequências disso. Vivia doente. Mal terminava um longão e já estava me sentindo fraca. Os treinos não tinham sequência porque sempre precisava me recuperar de uma gripe, uma virose, uma dor de garganta e outros perrengues. Não usava nenhum tipo de suplementação e perdi muito peso. Até então eu pensava que a alimentação não influenciava diretamente na prática esportiva, que gastar dinheiro com suplementação era um desperdício e que aquelas “bombas” fariam mal à minha saúde.

Lembro que, nessa época, estava procurando uma calça jeans – porque as outras já não me serviam mais – e o tamanho 34 ficava largo. A vendedora então sugeriu que eu buscasse em uma loja infantil. Fiquei extremamente ofendida. Esse episódio me motivou a buscar ajuda profissional. Precisava recuperar minha massa muscular e melhorar meu rendimento esportivo. Assim, deixei meus preconceitos de lado e busquei o auxílio do Akira no Ponto do Suplemento – amigo de longa data – e consultei o nutrólogo Dr. José Maria Júnior na DUE. Ajustei minha alimentação e suplementação, e consequentemente, recuperei meu peso, mantive constância nos meus treinos e os resultados começaram a aparecer.

Nessa época eu só corria em rua, e em março de 2015, exatamente há um ano atrás, encarei o desafio da Night Run da CIMTB. Corrida noturna e em trilha, uma verdadeira aventura se comparada ao que eu estava acostumada. Me encantei com a natureza e pelas adversidades impostas por ela. Eu não tinha nenhuma técnica, nem o tênis próprio para esse tipo de solo. Lembro que desci tudo de “bumbum” porque morria de medo de cair e, ainda assim, consegui o 4º lugar.

Outras corridas aconteceram e outros pódios vieram. Precisava investir dinheiro e tempo nos treinos e não sabia por onde começar. Então, fui aprovada no processo seletivo de Doutorado e começaria a viajar para BH semanalmente, só que dessa vez, o curso duraria 4 anos. Mais gastos, menos tempo para treinar…

Então, Deus colocou as pessoas certas em meu caminho. Rodrigo Siqueira me convidou para fazer parte da Equipe Cornélius e o professor Chineyder elaboraria treinos específicos para a corrida. Akira e Soraia me convidaram para fazer parte do time dos atletas do Ponto do Suplemento. Essas parcerias foram determinantes para que eu conseguisse melhorar meu rendimento esportivo e me destacar nas competições.

E assim surgiram outros anjos em minha vida: A Francielly Teixeira e o Luiz Gustavo (FRANGUS), a Ariane da Corpore Moda Fitness, o Silas e a Rosiane da Carezzane Bistrot, as meninas -Amanda, Elaine e Eliane – do Salão Realce Visual e o Alemão Silva fotógrafo. Cada um, do seu jeito, contribui para que eu possa continuar treinando e competindo.

Por meio do esporte tive oportunidades de participar de eventos incríveis, conhecer lugares maravilhosos e fazer muitos amigos. Pessoas que jamais imaginei conhecer. Eu considero os treinos com os amigos a parte mais prazerosa, mais até do que um lugar no pódio. Cada corrida é única, cada preparação é especial. Tento deixar de lado a competitividade com os outros e tenho como meta superar a mim mesma. Meu objetivo é, no dia da competição, conseguir fazer um tempo melhor do que aquele que eu tenha feito no meu melhor treino. Independentemente do resultado, se conseguir baixar alguns segundos, sinto que conquistei meu objetivo.

Conciliar todos os afazeres não é fácil, especialmente para nós mulheres. Procuro ter disciplina e estabelecer horários fixos para que possa me organizar melhor. Nos dias de maior volume de trabalho e estudo, reduzo um pouco o tempo da prática esportiva, mas tento não deixar de treinar. Já tive que me exercitar às 5h da manhã, na hora do almoço e até depois das 22h. Uma das coisas que me encanta na corrida é que quando estou cansada, preocupada, desmotivada etc, e saio para correr, sempre volto me sentindo ótima e com os problemas resolvidos.

Também reservo tempo para ficar com meu marido e meus filhos. Brincamos, realizamos as tarefas escolares e estudamos juntos. Conto sempre com o apoio do Bruno, meu marido, dos meus sogros Danilo e Núbia e minha mãe Nad, que não medem esforços e sempre ajudam com as crianças. Conheço algumas mulheres que acabam deixando de lado o cuidado com elas mesmas por causa das obrigações com o trabalho, os estudos, o lar e a família. Acredito que sentir-se bem é essencial para que possamos desempenhar todos os outros papéis com maestria. É esse o retorno que a corrida me traz. Me completa, me realiza, me encoraja e me faz sentir capaz de alcançar meus objetivos. Me mantém ativa e feliz e isso se reflete em quem está a minha volta. A corrida faz parte da minha rotina, pretendo correr até quando Deus permitir. Como disse Paula Radcliffe: “Não posso imaginar viver e não correr”.

Fotos Cedidas/Nad Leite

Nad Leite(Foto-Fabrício Verçoza)

Instagram:https://www.instagram.com/nadleite/

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