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Jovens eram ameaçados para cumprir tarefas do desafio da Baleia Azul

PARÁ DE MINAS. Os administradores das páginas e dos grupos que praticam o Desafio da Baleia Azul – no Facebook e no WhatsApp – estariam forçando a permanência dos participantes. Gabriel Antônio Santos Cabral, 19, que se matou nessa quarta-feira (12) em Pará de Minas, na região Central do Estado, supostamente após cumprir as ordens dadas pelo mentor do jogo, teria tentado abandonar o desafio, mas acabou desistindo após ameaças. A informação é de familiares do jovem. Um parente de Cabral chegou a ser adicionado ao grupo, mas saiu e, por medo, vai mudar o número do telefone.

Familiares de Cabral contaram que ele deixou o grupo de WhatsApp pelo menos quatro vezes, mas acabou sendo adicionado novamente em todas elas. Por outro lado, ele teria dito que o desafio era viciante. “Eu deveria ter feito alguma coisa quando ele me falou que iria dar problema se saísse do jogo. Foi feita uma lavagem cerebral nele. Eu deveria ter quebrado o chip do celular dele”, relatou a dona de casa Maria de Fátima Santos, 37.

A companheira de Cabral, Vitória Cristina Ferreira da Silva Vicente, 16, com quem o rapaz tinha uma filha de 40 dias, acredita que o companheiro tirou a própria vida para salvar um familiar. “Eles falaram que sabiam onde ele morava, acho que ele foi ameaçado. Não havia motivos para que ele fizesse isso”, destacou.

O parente de Cabral adicionado ao grupo acredita que foi indicado pela própria vítima para participar do desafio. Ele foi incluído há três semanas. “Eu não sou muito de acompanhar grupo, mas comecei a receber várias notificações. Quando vi mensagens mandando cortar o braço e fazer baleia de gilete, achei estranho”, contou o rapaz, que pediu anonimato. Ele recebeu um ultimato de um dos integrantes do grupo: “Ou você faz as tarefas ou sai agora do grupo”.

Preocupação. A morte do jovem assustou os moradores da cidade de cerca de 80 mil habitantes, em especial porque o grupo de WhatsApp teria muitos participantes de Pará de Minas e região.

Muitas mães e adolescentes estão com medo. “Os meninos estão assustados, é um alerta para eles. Tenho um filho de 16 anos, e ele comentou comigo desse jogo antes do que aconteceu. Esse jogo entra na mente, vou monitorar mais de perto”, afirmou a doméstica Rodária dos Santos, 38.

Investigação. A partir da próxima segunda-feira, parentes da vítima e membros do grupo de WhatsApp que ele participava devem prestar depoimento. A investigação tem prazo de 30 dias.

Posição. Procurada, a assessoria de imprensa do Facebook Brasil, que também é dono do WhatsApp, informou que não permite a promoção da autoflagelação ou do suicídio. Segundo a empresa, “qualquer conteúdo que identifique ou ataque, de maneira humorística ou séria, vítimas ou sobreviventes de autoflagelação ou suicídio” é removido.

 .Fonte: Jornal O Tempo/ Aline Diniz
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Medo. Mulher de jovem que se matou acredita que ele queria proteger parentes de ameaças

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