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Legion – Muito mais que outra série de heróis

Legion – Muito mais que outra série de heróis

FONTE: O TEMPO

 

Imagine crescer sendo chamado de idiota e doido? Imagine não saber se todo mundo ouve as mesmas coisas que você? É essa a vida de David Haller – interpretado por Dan Stevens, ex-“Downton Abbey”, agora fora de sua zona de conforto em “Legion”. A nova série do FX, com quatro episódios já exibidos, é uma transposição para a telinha de mais um quadrinho da Marvel no universo dos X-Men. Mas, mais do que ser uma história de mutantes cheia de lutas e demonstrações de poderes, “Legion” apresenta um debate sobre a intolerância.

A nova trama do FX escancara a ignorância com que tratamos os transtornos mentais, e questiona, em última instância, o que é o normal e o que é a realidade – uma vez que, para cada um de nós, o que vemos é real, mesmo que outra pessoa não enxergue. Debates filosóficos à parte, quando se analisa só pelo “quesito X-Men”, “Legion” também é boa. E muito. O espectador é literalmente levado para dentro da mente de David, e as soluções visuais encontradas para fazer esse transporte são brilhantes.

Nesta série, a forma acaba interessando tanto quanto – ou mais – do que o conteúdo. Assim como no cérebro de David não há uma linha cronológica coerente, nem se sabe que tempo é o presente. O uso de cores, especialmente vermelho e verde, evoca um ambiente anos 70. Mas, ao mesmo tempo, dá um ar futurístico, sacudindo a timeline do espectador.

Menos músculo e mais psique. No primeiro episódio, David diz à irmã que alguma coisa nova precisa acontecer logo. A série, produzida e escrita por Noah Hawley (“Fargo”), é em si uma resposta a esse apelo. Em vez de admirar pancadaria e explosões, é com a personalidade dos heróis que o público se conecta. É muito mais sobre o desenvolvimento dessas pessoas do que sobre seus poderes.

Em sintonia com o mundo dos X-Men, em “Legion” uma parte da população já sacou que existem mutantes, o governo criou divisões secretas cuja missão é encontrá-los e, quando não conseguem controlá-los, a ordem é matar. É o que acontece quando eles colocam a mão em David. Só que, recém-saído de mais um hospital psiquiátrico, ele mesmo está convencido de que é louco. Vivia conformado com sua “doença”, até que uma paciente misteriosa – Syd – chega à mesma clínica e abre seus olhos.

Enquanto David é confrontado com palavras como alucinações e paranoia, o público vai descobrindo que ele é, na verdade, o mais poderoso mutante já descoberto. O centro da série está na jornada rumo ao conhecimento e ao controle desse poder. O espectador fica com a sensação de que nada acontece, a trama não avança, mas o que é preciso entender é que “Legion” anda para trás e para dentro. O “para frente”, a que estamos acostumados nas séries, ainda está por vir.

Trilha sonora da doença. Rachel Keller é Syd Barrett, personagem que não por acaso tem o mesmo nome de um dos criadores do Pink Floyd. A relação entre a série e a banda é visceral. Na New York Comic-Con de 2016, Noah Hawley contou que se reuniu com o compositor Jeff Russo para falar sobre a trilha da série, ainda embrionária. Ele disse a Russo que queria que “Legion” invocasse “Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd. “Esse álbum é realmente a paisagem sonora da doença mental em algum grau”, disse Hawley, na Comic-Con. Não podiam estar mais certos. “Legion” está no FX, às quintas-feiras, às 22h30, e no app da Fox.

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